Centro de Estudos da Seara
A História da Seara (São Mamede de Paradela)
A história da Seara entrelaça-se, ao longo de vários séculos, com a de outras freguesias vizinhas, num percurso de partilha mútua que promoveu o crescimento e a consolidação das suas autonomias administrativas atuais. Falamos de Vitorino da Donas, Facha e Correlhã. O mais curioso é que a situação geográfica da Seara, em relação às restantes, na sua centralidade inequívoca, terá sido também fator fundamental para a coexistência administrativa da Seara, que chegou a estar dividida em dois, com parte pertencente ao Concelho de S. Estevão de Riba do Lima, mais tarde S. Estevão da Facha (1826 a 1835), e a outra ao Couto da Correlhã.
O dado mais antigo sobre as origens da freguesia da Seara surge no “Censual do território de entre os rios Lima e Ave”, organizado pelo Bispo D. Pedro, entre 1085 e 1091, conforme refere o Prof. Padre Avelino Jesus Costa, onde se faz referência às paróquias da Diocese de Braga, dos finais do século XI, entre as quais se encontra a referência a Paradela (Seara), juntamente com "Sancto Micahele de Laurdelo" e "Baloco" (Facha), "Sancto Thome de Corneliana" (Correlhã), "Sancta Maria de Barca" e "Vulturino" (Vitorino das Donas). Este dado precioso permite-nos concluir que a Seara terá mais de 930 anos de existência, o que, por si só, é demonstrativo da sua longevidade e da importância que teve ao longo dos séculos.
A freguesia da Seara, com o topónimo de S. Mamede de Paradela, aparece referida, pela primeira vez, em registo escrito, nas Inquirições de D. Afonso II, realizadas em 1220. Nelas aparece como fazendo parte da Terra e Julgado de Santo Estevão de Riba do Lima, com a designação de “Sancto Mamete de Paradela”, isto é, S. Mamede de Paradela. Esta nomenclatura acabaria por dar origem ao topónimo S. Mamede de Paradela da Seara, que acabaria por assumir a sua forma final (até aos dias de hoje) de Seara.
Surgem novos registos de S. Mamede de Paradela nas Inquirições de 1258, no reinado de D. Afonso III, fazendo parte das Terras de Santo Estevão de Riba do Lima, juntamente com S. Miguel de Facha, S. Salvador de Vitorino, Sta. Maria do Barco, Sto. Adrião de Bauco.
S. Mamede de Paradela pertenceu, até 1836, ao concelho de Santo Estevão de Riba do Lima e ao Couto da Correlhã. Esta ligação ao Couto da Correlhã fez com que o nosso território, ou parte dele, estivesse sobre a jurisdição civil da Casa de Bragança, à qual se pagava o quinto. Ainda hoje existem marcos, na área do Monte da Nó, que registam esta pertença.
Em 1836, com a extinção dos coutos, na sequência da Reforma Administrativa de 1835, a Seara assumiu a sua autonomia administrativa e passou a integrar o concelho de Ponte de Lima, até aos dias de hoje.

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